Em um post recente, falamos de habilidades cada vez mais valorizadas e como elas têm sido exigidas pelos recrutadores dada às transformações nos negócios e no mercado de trabalho. Dentre as habilidades mais requeridas pelos RHs estão as People Skills.

Elas são as aptidões comportamentais e socioemocionais de uma pessoa. São exemplos de People Skills o autoconhecimento, a resiliência, a escuta ativa, a oratória e a gestão emocional.

Muitos profissionais utilizam o termo soft skills quando se referem a essas habilidades, em contraponto às habilidades técnicas, conhecidas como hard skills.

Na Santé, preferimos o termo People Skills, pois, ao traduzir, “soft”, dá-se a impressão de ser algo leve, enquanto “hard” seria algo pesado, mais denso. Dessa forma, erroneamente parece que as hard skills são mais importantes.

“Mas, como diz meu sócio, Ricardo Basaglia, conforme pesquisa da Michael Page, as pessoas são contratadas pelas hard skills e demitidas pelas People Skills. Nós chamamos de “People” porque não são competências que você adquire sozinho; para desenvolvê-las, você precisa de pessoas”, diz a engenheira de produção Caroline Garrafa, fundadora e CEO da Santé.

Recentemente, a Carol, como é conhecida aqui na Santé, deu uma entrevista a Luis Vabo Jr, CEO do Além da Facul. Trazemos aqui os melhores trechos da entrevista cujo assunto é People Skills. Com a palavra Caroline Garrafa.

Por que falar de People Skills?

“As People Skills são essenciais para quem quer crescer na carreira. As habilidades humanas comportamentais são aquelas que os robôs não poderão copiar. Isso é comprovado nesse momento difícil em que vivemos, a pandemia, que nos mostrou o quão importante é o cuidado com o emocional.”

A tendência é que tarefas repetitivas e muitas das hardskills sejam substituídas por robôs, que as realizarão de maneira mais rápida e eficiente. Se você quer se aprofundar no tema, uma dica de leitura: Gestão do Amanhã (Editora Gente), de José Salibi Neto e Sandro Magaldi.

Como desenvolver as People Skills

“As People Skills têm se mostrado cada vez mais necessárias – e desenvolvê-las se tornou um fator decisivo para a felicidade e o sucesso.
Diversos profissionais com um excelente currículo e experiências interessantes acabam não tendo sucesso justamente por não terem desenvolvido bem as habilidades sócio-emocionais mais importantes.

Além disso, líderes que possuem People Skills bem desenvolvidas exercem sua liderança através da emoção, da vulnerabilidade, da humildade. Eles(as) conseguem construir um time colaborativo e criar um ambiente de segurança psicológica, valorizando as pessoas e alcançando bons resultados.”

Dá para medir essas habilidades?

“A maneira mais difundida é através do quociente emocional (QE), que é dividido em quatro dimensões: self awareness (autoconhecimento), self management (autogestão), social awareness (consciência social) e relationship management (gestão de relacionamentos).

O autoconhecimento é entender como você está. Autogestão é começar uma autoanálise. Consciência social é entender o que está a minha volta. E, por fim, gestão de relacionamentos é entender quem você influência, como lida com os conflitos e suas ações como líder.

É importante diferenciar autoanálise de autocobrança, pois enquanto a primeira é se conhecer, a segunda, quando muito elevada, pode significar uma autoconfiança baixa. Será que você está se cobrando porque quer se mostrar para alguém? Se sim, essa autocobrança pode estar relacionada a uma cobrança exacerbada e ao imediatismo.

Deste modo, enquanto a autocobrança tira o meu foco, a autoanálise me dá um foco.”

Inteligência emocional: como evoluir?

“Quando utilizamos esse termo, de forma literal, estamos criando uma cognição para a emoção, que, na verdade, é inconsciente. Quando interpretamos a emoção, ela já se torna sentimento. Por isso, o certo seria gerir emoção, ressignificá-la, ter senso crítico. Pois, a inteligência está na razão, não na emoção.

Quanto mais tivermos uma educação voltada ao comportamento, mais teremos seres humanos felizes. Precisamos estar realizados para atingir o sucesso. Somos seres sociais, que ajudam os outros. Se conseguirmos tirar o egocentrismo da frente, nossa sociedade será melhor.”

Treine People Skills com mindfulness 

“O primeiro e maior obstáculo para conseguir desenvolver suas People Skills é você. Isso porque o primeiro passo para o desenvolvimento é querer. Se você tiver um bloqueio, não vai avançar. É preciso que ache uma motivação. A vontade é o primeiro passo.

Existem várias estratégias para desenvolver as habilidades comportamentais. Uma maneira de começar é praticando a meditação, mais especificamente o mindfulness (é a prática de se estar no momento presente da maneira mais consciente possível).

Isso é importante para que você possa viver mais o momento presente, se conectar consigo mesmo e entender os conflitos na sua mente. Nem sempre a People Skill que você acha que quer aprender é a habilidade que você precisa desenvolver.

Tudo começa com talento, não com gap (algo que falta em você). É importante que você foque no que é bom, trabalhe nisso para ter a habilidade certa e se tornar referência naquilo.

Conclusão

Desenvolver as People Skills vai fazer você enxergar mais oportunidades do que ameaças na sua vida. O equilíbrio entre razão e emoção é o ponto em que você encontra a felicidade, pois quando andam juntas, tudo vai bem. É essencial ver a vida como oportunidade, e não como ameaça.

Uma dica final é fazer um plano de desenvolvimento individual, por exemplo, quais habilidades quer desenvolver a cada 6 meses e monitorar seu progresso – vamos voltar a este assunto aqui no blog. Pode ter certeza, ao observar e começar a praticar os pontos tratados acima, sua carreira vai deslanchar.

Para saber mais sobre People Skills, veja também

Confira a live da entrevista da Caroline Garrafa, fundadora e CEO da Santé, com Luis Vabo Jr, CEO do Além da Facul.

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